Trata-se de unidade de conservação cujo objetivo é a proteção e preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, bem como do rico patrimônio arqueológico ali existente, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, recreação e ecoturismo.
A Fundação Florestal esclarece que “Por ser uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o Parque Estadual Lagamar de Cananéia busca atingir objetivos, como a preservação dos ecossistemas e da diversidade genética e a pesquisa científica, além das atividades de educação ambiental e ecoturismo. Pesquisas realizadas no setor sul do parque identificaram a ocorrência do Mico-Leão-da-Cara-Preta Leontopithecus caissara Lorini & Persson, 1990, espécie criticamente em perigo de extinção, endêmica da Mata Atlântica que ocorre somente na planície costeira do litoral sul de São Paulo e norte do Paraná, nos limites dos municípios de Guaraqueçaba (PR) e Cananéia (SP)”.
O parque possui 40.758,64 hectares espalhados pelos municípios paulistas de Cananéia e Jacupiranga, ambos na região do Vale do Ribeira e do Complexo Estuarino Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá.
O Lagamar é um sistema formado pelos estuários de “inúmeros rios, riachos e córregos, fluindo das serras em volta (cobertas de matas preservadas) para o mar, criando um imenso emaranhado de canais e lagoas de água salobra. A água salgada do mar penetra ciclicamente no continente, com as marés, até uma distância de 30 km do mar, e mistura-se com a água doce dos cursos d’água já referidos. Essa mistura gera o ambiente ideal para a procriação de muitas espécies marinhas, pois, além de conter os nutrientes de que necessitam, é protegido da agitação do mar aberto. As raízes intrincadas do mangue, que cobre boa parte do Lagamar, são um verdadeiro berçário para os filhotes de inúmeros tipos de animais aquáticos. Não é por menos que esse complexo é considerado um dos maiores criadouros de espécies marinhas do Atlântico Sul.
Segundo o Instituto de Pesquisas de Cananéia, “o Lagamar faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape, tendo como componentes os Complexos Estuarinos de Iguape e Cananéia (SP) e o Complexo Estuarino de Paranaguá (PR). A região se destaca pelas belas paisagens naturais terrestres e marinho-costeiras, incluindo montanhas, estuários, ilhas e praias com florestas de planície e encosta, restingas, dunas e manguezais, abrigando assim, muitas espécies da fauna e flora. Não só de riquezas naturais é composto o Lagamar, nesta região ainda vivem populações caiçaras que mantém viva sua cultura local e conhecimentos tradicionais secular como o fandango e a pesca artesanal com cerco-fixo. Considerada como de prioridade “extremamente alta” para medidas de conservação a região do Lagamar inclui um dos cinco estuários menos degradados e mais produtivos do mundo, além de fazer parte da “Reserva da Biosfera da Floresta Atlântica” decretada pela UNESCO. A região compreende várias unidades de conservação nacionais e estaduais como o Parque Nacional do Superagui, Parque Estadual Ilha do Cardoso, Parque Estadual do Lagamar, Estação Ecológica dos Tupiniquins, Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe, Área de Proteção Ambiental Guaraqueçaba, entre outras. Mesmo assim, não está livre de ameaças. A crescente urbanização junto à especulação imobiliária, o aumento desordenado do turismo, as atividades extrativistas insustentáveis com a conservação, a presença de caça e de animais domésticos dentro e fora das Unidades de Conservação são fatores de ameaça iminentes que se não forem bem resolvidas e geridas, podem comprometer a sua rica biodiversidade”.
Na área do parque propriamente dito, segundo a Fundação Florestal, predominam Florestas Ombrófilas Densas, Vegetações de Restinga e manguezais. Não há um levantamento específico da avifauna, mas com tamanha diversidade de ambientes, é fácil imaginar a quantidade de espécies existentes nessa unidade de conservação.
O Parque Estadual do Lagamar de Cananéia integra dois MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO distintos, a saber:
MOSAICO DE JACUPIRANGA: É composto por três parques estaduais (Parque Estadual Caverna do Diabo; Parque Estadual do Rio Turvo; e Parque Estadual do Lagamar de Cananéia); cinco Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), quatro Áreas de Proteção Ambiental (APA), duas Reservas Extrativistas (Resex) e duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), totalizando assim 243.885,15 hectares. Para saber mais, clique em http://site-antigo.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2614
MOSAICO DO LAGAMAR: É composto por mais de 40 unidades de conservação, que se estendem desde a cidade de Peruíbe/SP, até a cidade de Guaratuba/PR. O objetivo do Mosaico é a gestão integrada e participativa deste território, fortalecendo as áreas protegidas e as comunidades dessa região. Veja o QUADRO RESUMO DAS ÁREAS PROTEGIDAS, clicando em http://dc463.4shared.com/doc/1QboyoxG/preview.html
O Parque Estadual do Lagamar de Cananéia foi criado pela Lei Estadual no 12.810, de 2.008, que instituiu Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga, juntamente com outras 13 Unidades de Conservação.
Não há dúvida que a história do parque é curta, mas não a da região em que é situado.
Há documentos que comprovariam a presença de um europeu em Cananéia antes mesmo da chegada de Pedro Álvares Cabral no Brasil. Esse personagem ficou conhecido como o Bacharel de Cananéia, apodo pelo qual Cosme Fernandez foi tratado nos documentos históricos. É claro que muita polêmica entre historiadores existe a respeito, mas, sem dúvida, é um tema fascinante. Para saber mais, leia o texto “O Bacharel de Cananéia”, de PAULO SETÚBAL, clicando no link do quadro “Referências” nesta página.
De outro lado, como evidenciam vestígios arqueológicos (sambaquis), a presença humana na região de Cananéia remonta ao ano 4.000 a.c. A pré-história é outro aspecto fascinante da região e objeto de interesse de muitos pesquisadores. Para saber mais a respeito, leia o texto “Os Sambaquis do Vale do Ribeira”, de Roberto Fortes, clicando em no link do quadro “Referências” nesta página. Sobre sambaquis sub-aquáticos, leia o texto “Os sambaquis submersos de Cananéia: um estudo de caso de arqueologia subaquática” , de Flávio Rizzi Calippo, clicando em no link do quadro “Referências” nesta página.
O parque não possui centro de visitantes. Também não há, no interior do parque, locais para hospedagem, restaurantes, lanchonetes, áreas para camping e quiosques.
Endereço da sede: Avenida Prof. Wladimir Besnard s/n, Cananéia SP, CEP 11990-000.
Telefones: (13) 3851-1163 e (13) 3581-1108
E-mail: PE.lagamarcananeia@fflorestal.sp.gov.br PE.lagamarcananeia@gmail.com